Estudar em idade adulta é uma experiência bastante diferente. Fique a conhecer algumas das coisas mais importantes que eu destaque agora que já posso falar abertamente sobre voltar a estudar.

Por isso quero partilhar  7 coisas que aprendi ao voltar a estudar

#1

A escolha tem que ser pessoal

Todos conhecemos histórias de pessoas próximas que queriam ir para fotografia e foram para direito, que sentiram o peso da responsabilidade e seguiram tradições familiares, que não sabiam muito bem o que queriam e jogaram a roleta russa dos códigos de cursos, ou, como eu contei aqui, que simplesmente achavam que estavam a fazer a escolha racional e o resultado foi um fiasco.

Se vais escolher, escolhe algo que te apaixone verdadeiramente, e se ainda não sabes o que isso é procura alternativas (tira um ano sabático, vai trabalhar por uns tempos, embarca na aventura do voluntariado… o que te fizer sentido). Escolher um curso com base em premissas que não aquilo que queres é como colocar um par de óculos impregnados de negatividade. A cada contratempo vê-se o pior, é fácil desanimar, desistir ou ceder à pressão. No pior cenário possível é aguentares isto tudo e sentires-te miserável.

Pelo contrário se estudares aquilo que te apaixona os óculos que colocas estão cobertos de possibilidades, dão-te força, ânimo e movem-te para a frente. As contrariedades são apenas diferentes níveis que te colocam à prova – como num jogo de plataformas, à espera do boss final.

 #2

As tradições académicas são uma perda de tempo

Na minha primeira vez fui bastante receptiva às tradições académicas, apesar de ter amigos que pertenciam ao M.A.T.A. e que me moíam a cabeça. Fui praxada, fui a almoços, jantares, concursos, tive madrinha, e o diabo a sete. Mas não me aqueceu, nem arrefeceu. Para além de meia dúzia de fotos em figuras menos próprias e de ter sido finalista no Miss Caloira 1900 e troca o passo, nada do que aconteceu naquela semana foi determinante para a minha vida académica.

No ano passado estas actividades estavam fora dos meus planos, mas isso não quer dizer que estivesse alheia a elas. Em finais de Outubro, eu nas aulas com trabalhos e orais marcadas ainda ouvia todos os dias os ecos das tradições académicas no jardim da Reitoria. Só pensava “Como é que estas pessoas têm tempo para estas coisas quando eu já estou atolada em trabalhos?”

#3

O ensino superior público precisa de melhorar as suas condições asap

Foi um choque ir ao WC. Até podia ignorar que em três cabines só uma funcionava ou que misteriosamente nunca há toalhas de mãos – nunca, juro que não percebo para que está lá o suporte; agora, portas que não fecham, autoclismos que tem que se enfiar uma caneta para funcionar ou mensagens escritas nas portas… é mau demais. Se no Inverno o aquecimento era porreiro, mal sabia eu que quando viesse o verão ía ser um forno igualmente. Salas apinhadas de gente foi outro fenómeno para o qual não estava mentalmente preparada.

#4

Há professores que ainda não chegaram à era digital

Não falo daqueles que não têm website, ou dos que precisam sempre de ajuda para ligar o retroprojector – até eu que sou formadora há mais de dez anos às vezes preciso de ajuda. Falo dos que projectam texto puro. Word minha gente, projectado numa parede de 2 por 3 metros em Times New Roman tamanho 10. Isto simplesmente não se faz. Claro que há os que ainda nem respondem aos emails, os que ainda deixam textos nas reprografias ou os que só vão ao Moodle para deixar a nota. Nada disto me perturba tanto quanto projectar texto a frio em aulas de 2 horas.

#5

Os alunos estão demasiado digitais

Quase todos, sem excepção comunicam por mensagens, whatsapp, fóruns e o diabo a sete. E não desligam. Eu podia ter vinte anos ainda e ía continuar a achar uma falta de respeito passar a aula ligada a qualquer coisa que não a dita aula. Hoje em dia, dos rebeldes sem causa, aos meninos certinhos de portátil da primeira fila, tudo está com um pé na aula e outro no mundo.

É completamente diferente para o nosso cérebro as conexões que se fazem quando escrevemos à mão ou quando escrevemos num teclado. A forma como a nossa memória é afectada é determinante para o nosso sucesso académico. Porque não sabem ou porque não querem isto é completamente ignorado.

#6

Às vezes, o mais complicado é o mais simples

Até ao final de Outubro dividi as atenções entre a faculdade e o despedimento colectivo na empresa onde trabalhava. Em Novembro, no intervalo de uma aula de filosofia antiga – com o telemóvel na mochila – descobri que o meu filho tinha partido a cabeça na escolinha e estava no hospital a ser cosido. A partir de Janeiro iniciei a aventura de trabalhar por conta própria.

A minha vida agora é muito mais complicada do que quando era apenas estudante. Mas é muito mais simples focar-me naquilo que é preciso fazer e arregaçar as mangas. Torna-se bem mais simples quando nos encontramos num estado de foco preciso no que fazemos, do que quando nos dispersamos em caminhos que não são o nosso.

#7

Não há falha, apenas feedback

Na verdade não foi com o primeiro ano da faculdade que aprendi isto. É algo que trago comigo do desenvolvimento pessoal e da programação neuro-linguística. Só que aplicado à minha experiência pessoal faz toda a diferença. O primeiro ano não correu bem, vou repeti-lo este ano e sem dramas. As cadeiras que fiz aprendi efectivamente o que era proposto. Todas as outras considero que pertenceram ao ano zero. Foram uma experiência importante para medir o pulso ao estado do ensino superior e às minhas competências internas.

 

Neste novo ano lectivo deparo-me com a mesma quantidade de desafios pela frente: filhos, casa, carreira, marido e manter alguma sanidade mental. Sei que vai voltar a ser uma montanha russa, mas estas 7 coisas que aprendi ao voltar a estudar só reforçam que estou no caminho certo. Venham mais.